A fuga dos carnívoros – um almoço no Smokin Joes

*Por Bárbara Fonseca

Visitar restaurantes e bares badalados, repletos de turistas ansiosos com suas selfies e avaliações no Trip Advisor, está longe de ser um programa que busco durante minhas viagens. Sou da feira, do mercado, do boteco copo sujo, do carrinho de rua. Há situações, contudo, que a gente acaba cedendo, sobretudo quando se trata de um local inusitado como o Smokin Joes, localizado em São Pedro, um dos povoados do místico Lago Atitlán, do qual já falei aqui.

Antes de contar sobre o lugar, no entanto, é preciso contextualizar a nossa situação naquele momento. Estávamos vivendo e trabalhando no povoado de San Marcos, que é conhecido, sobretudo, por ser uma referência em terapias holísticas, meditação e yoga . Não é preciso explicar, portanto, por que o restaurante em que trabalhávamos e fazíamos nossas refeições, o Hostal del Lago, conta com um cardápio basicamente vegetariano. Não que estivesse insatisfeita com a comida que, aliás, era surpreendente. Nunca imaginei, por exemplo, que me apaixonaria por um hambúrguer feito à base de feijão e lentilha, meu prato predileto do local.

Há, porém, uma falta – seja psicológica ou física – que quem é adepto à carne sabe que sente. Até porque, vale ressaltar, que vínhamos de um longo período de dietas restritas no que diz respeito à proteína animal, já que, antes da Guatemala, havíamos morado em ilhas onde a chegada de certos produtos é bastante complicada.

Além disso, a desculpa não era só pela carne. Toda aquela aura zen de San Marcos já estava nos deixando um pouco asfixiados. Precisávamos sair para respirar outros ares. Para minha sorte, este sentimento era compartilhado por outros voluntários. E foi por parte deles que veio o convite para passar o domingo no Smokin Joes.

 

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E o que é, afinal, este lugar? Trata-se de um restaurante, ambientado no gramado de uma casa, onde todos os domingos acontece um grande churrasco. A ideia é ser bem informal mesmo, para parecer que você está em uma festa de amigos. No quinta, inclusive, há uma piscina para quem quiser se refrescar entre uma cerveja e outra. O grande chamariz do negócio, e que se popularizou entre os turistas, é que por um preço único, que varia de acordo com a carne escolhida, você pode se servir à vontade dos complementos oferecidos. É uma verdadeira orgia alimentar ao estilo sulista dos Estados Unidos, com direito a espigas de milho assadas, ao tradicional macarrão com queijo, dentre outras coisas que, quando percebi, já estavam no meu prato.

Devido ao meu baixo orçamento – quem aí faz mochilão sabe que cada gota conta! – optei , em vez de uma peça de carne, por um sanduíche recheado com uma mistura de todas as carnes assadas, que vêm desfiadinhas e temperadas com um molho bem saboroso. Os molhos, inclusive, me chamaram mais atenção que a quantidade de acompanhamentos na mesa. São várias e deliciosas opções, que também podem ser servidas livremente. A minha refeição saiu a 35 qtz (algo como 5 dólares). Hoje penso que, por apenas três dólares a mais, poderia ter saboreado um tenro e mal passado steak bovino ou uma costela de porco gigante. Claro que, naquele contexto, três dólares estavam longe de ser apenas três dólares.

Para deixar o clima ainda mais informal e pitoresco, é do microfone que o próprio Joe te chama entregar o seu pedido. Supostamente, um homem com um microfone é um ser sem limites, portanto, inclua também piadinhas e gracinhas ao longo da tarde.  As cervejas – Brahmas, que por lá se chamam Brahvas – são vendidas em combos de três latas pelo preço de duas.

Nem preciso dizer que saímos de lá à beira de um colapso estomacal. Para aliviar a sensação de se pesar uma tonelada, aproveitamos para dar uma volta por São Pedro, um povoado bem simpático e muito mais movimentado que San Marcos. Devido ao trabalho, tínhamos pouco tempo livre para explorar a região, mas aos poucos era possível conhecer, ainda que rolasse uma preguiça e “pão-duragem” para gastar com os barcos, que são o principal meio de transporte entre os povoados do lago.

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