Três razões para você conhecer a Nicarágua

Por Bárbara Fonseca

Uma pergunta rápida: o que você sabe sobre a Nicarágua? Por acaso, algum de seus amigos já esteve por lá? Se você ficou sem resposta, não tem problema. Quase todo mundo faz cara de estranhamento quando conto sobre minha experiência neste pequeno país da América Central. Eu mesma, antes de passar dois meses em terras nicas, nem imaginava que ali, entre Costa Rica e Honduras, encontraria um lugar com atributos suficientes para ser o destino perfeito de um mochileiro: bons preços, diversidade natural e cultural, segurança, gente acolhedora e viajantes do mundo inteiro. Ficou curioso? Então confira esta lista que preparei com três boas razões para você, viajante, conhecer a Nicarágua.

1. A Ilha Ometepe com seus vulcões, praias e o melhor frango assado do mundo

Com 8.624 km², o Lago Nicarágua, ou Cacibolca, em língua indígena, é o maior da América Central e o segundo da América Latina, ficando atrás apenas do Lago Titicaca, na Bolívia. Suas águas não só são habitat da única espécie de tubarão de água doce do mundo, como também dos 35 mil moradores da incrível Ilha Ometepe.

Ometepe é a maior ilha lacustre do planeta, com 276 km² de extensão. O lugar é emoldurado por dois vulcões: o Concepción, ainda em atividade, e o Madera. A subida ao topo dos dois está entre os passeios mais procurados pelos turistas que visitam a o lugar. Mas não é só isso.

De uma ponta a outra, a ilha reserva uma sucessão de surpresas, seja por suas belezas naturais, pela simplicidade de sua gente ou pelas festas que ganham espaço nas ruas de seus dois principais povoados: Moyogalpa e Altagracia. A primeira é a porta de entrada da ilha e é onde estão concentrados os principais serviços, como restaurantes, mercados e hospedagens. É a melhor opção para quem quer mais comodidade ou está viajando sozinho, já que a possibilidade de fazer novos amigos e até companheiros de viagem é grande nos bares e hostels locais.

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Alugar bicicleta é uma alternativa para se deslocar pela ilha

Para se deslocar pela ilha, uma boa pedida é alugar bicicleta ou, para quem sabe dirigir, uma moto, o que pode ser feito sem burocracia (mesmo se você não tiver habilitação). Você vai conhecer lugares como a Punta Jesús María, um dos meus pontos favoritos da ilha, a apenas 2 km de Moyogalpa. Trata-se de uma praia de areia escura e águas tranquilas de onde se tem uma visão panorâmica do lago e dos vulcões e um pôr do Sol que está entre os mais bonitos que já vi na vida.

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Paisagem deslumbrante da Punta Jesús María
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Pôr do Sol na Punta Jesús María: cinematográfico

Você também vai se encantar com a beleza peculiar de Ojo de Agua, um parque de piscinas naturais construídas a partir do represamento das águas que escoam do vulcão Concepción. É um ótimo lugar para se passar o dia. Conta com banheiros, restaurantes e cadeiras liberadas para você relaxar. Cobra entrada de US$ 3. 

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Águas cristalinas de Ojo de água

Pela noite, não pense duas vezes antes de sentar-se na varanda da casa da Nívea para saborear o melhor frango assado do mundo, na minha opinião. O segredo está na marinada, feita de véspera com limão, alho e ervas. O frango é assado na churrasqueira e é servido com tajadas (chips de banana verde), salada picante de repolho e gallo pinto (prato típico da América Central cuja receita já dei aqui). O preço não passa de US$ 3.

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Festas de rua são uma tradição na Nicarágua

Em Moyogalpa é possível encontrar hospedagens incrivelmente baratas, como a Hospedaje Central, local em que Ana e eu trabalhamos por duas semanas como voluntárias (para saber mais sobre trabalho voluntário, clique aqui). Os preços variam de US$ 3 em quarto compartilhado a US$ 25 em quarto privado. O local ainda oferece um restaurante/bar que é ponto de encontro de turistas e moradores pela noite. No cardápio, destaque para os pratos vegetarianos, como tacos e hambúrgueres preparados por nossa querida Doña Rubida.

Para chegar a Ometepe, há saídas regulares de ferry do porto San Jorge, na cidade de Rivas, a 100 km da capital, Manágua. Para quem vem da Costa Rica, como foi o nosso caso, o ônibus da empresa Nicabus faz parada logo na entrada de Rivas, basta pedir ao motorista.

2. O Caribe pouco turístico das Ilhas do Milho

Já contei aqui sobre a minha aventura de 40 horas em um barco para se chegar a este ponto escondido da Nicarágua. Mas quando o assunto são as Ilhas do Milho (Islas de Maiz ou Corn Island, nome mais usado), nunca é demais repetir o quanto o lugar é especial.

Distante cerca de 80 quilômetros da terra, Corn Island e Little Corn Island são duas ilhas de 8 mil e 1 mil habitantes, respectivamente, fincadas nas águas turquesa do Mar do Caribe. Para chegar até lá, há como ir de avião ou de barco, uma escolha que vai depender do seu estilo, bolso e do tempo  disponível. Conto os detalhes de cada opção no link acima, mas já adianto que, para quem quer aventura e histórias, a viagem de barco, com certeza, é a melhor aposta.

Diferente de muitos redutos caribenhos, já tomados por grandes resorts, as ilhas do Milho, particularmente Little Corn, onde vivi por um mês, se mantém praticamente intocada. São praias de areia branca e águas límpidas, repletas de espécies de peixes e corais que saltam aos olhos num espetáculo de cores. O lugar, aliás, é paraíso para mergulhadores e aspirantes. Só para se ter uma ideia, em meu mergulho de estreia,  fui presenteada com o encontro amigável com um tubarão!

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Praia de Little Corn Island
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Pôr do Sol em Little Corn Island

Maior parte da população local é de origem garifuna, etnia resultante da miscigenação dos índios aruaques com escravos. Há, ainda, os chamados miskitos, grupo étnico natural da América Central, cuja presença se estende pela chamada Costa do Mosquito, um território que passa por Belize, Honduras e, finalmente, a Nicarágua. Essa fusão, somada à presença de imigrantes de diversas partes do mundo oferecem um ambiente multi-cultural que se manifesta no idioma, na comida, na música e outros aspectos da vida cotidiana das ilhas.

3. A boemia com ares de história em Granada

A jornalista Adriana Setti, do Blog Achados, definiu a cidade de Granada, ao Sul da Nicarágua, como uma mistura de Paraty e Havana. Nunca tinha feito esta associação, mas, pensando bem, faz sentido. A cidade reúne elementos de história, charme e boemia que caracterizam tanto a cidade fluminense como a capital cubana.

Fundada em 1524, Granada mantém preservado o seu conjunto arquitetônico remanescente do período colonial. A cada dobrar de esquina, você vai se deparar com uma imagem típica de cartão-postal. Tudo muito colorido. Me chamou a atenção os casarões antigos com seus pátios e salões bem adornados. Cadeiras de balanço, retratos de família, flores e luzes. Um capricho.

Assim como em Cuba, os charutos e o rum fazem parte da cultura nicaraguense. A bebida de orgulho nacional, apreciada com entusiasmo por nicas de várias classes sociais, é o Flor de Caña, considerado um dos melhores runs do mundo. Em Granada é possível encontrar a bebida a venda em qualquer mercado. Se quiser tomá-la à moda nica, leve uma garrafa para a praça e aproveite.

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Falando em praça, não deixe de saborear a comida de rua da cidade. Entre as melhores pedidas, estão as tortilhas à moda das popusas salvadorenhas, prato típico de El Salvador que a Ana Paula nos mostrou por aqui. Outra receita, está típica da Nicarágua, é o vigorón, uma mistura de torresmo, mandioca e salada de repolho que encanta e dá sustância.

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Cadeira de balanço: mobília presente em praticamente todas as casas da Nicarágua

O que me diz, vale a pena?

Como você pode ver, a Nicarágua pode até ser um nome estranho aos seus ouvidos, mas o que não faltam são boas razões para pensar, com carinho, em incluí-la em sua próxima viagem. Se você tem alguma dica sobre o país ou precisa de ajuda para organizar o seu roteiro, deixe o seu comentário e vamos conversar 😉

E para mais dicas de viagens, histórias e curiosidades, me acompanhe no Instagram: @barbara_possoprovar.

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