Como eu vim parar em Pernambuco?

*Por Bárbara Fonseca

A gente que gosta de viajar, conhecer novas culturas e aprender coisas novas tende a pensar que sair do país é a maneira mais óbvia para fazer uma mudança radical na vida, não é mesmo? Mas a verdade é que não é preciso ir tão longe para vivenciar realidades diferentes e acumular aprendizado. O Brasil é quase um continente. De Norte a Sul do território nacional mudam os costumes, os sotaques, as comidas, as paisagens. Há muito o que se descobrir por aqui, não há dúvidas.

Essa certeza foi o que me fez sair de Minas Gerais, em março, rumo a Porto de Galinhas, um dos destinos turísticos mais visitados do país, no estado de Pernambuco. Neste post, vou te contar um pouco desta história. Quem sabe não te dê inspiração para fazer a transformação que você já anda buscando há um tempo?

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O pontal de Maracaípe, um dos motivos para se apaixonar por aqui

A escolha do lugar

Na manhã do dia 11 de março, eu e Eric entramos no aeroporto com nossas cinco malas e umas poucas certezas na cabeça. Poderíamos estar na Espanha (ele é de lá), em Minas Gerais ou em algum outro canto do mundo. Mas escolhemos aqui. Por que?

O dia inteiro escuto essa pergunta. A resposta é simples: viemos porque gostamos de praia. Eu nasci e cresci em Minas, nas montanhas, e o Eric é de Madri, também longe do mar. Em nossas andanças, o ambiente de litoral sempre foi o que mais nos fez feliz. Além da identificação, pesa o fato o Eric ser mergulhador, não havendo, portanto, lugar melhor para se viver do que em uma praia paradisíaca, verdade?

Nos próximos posts, vou falar mais sobre os atrativos turísticos da região. Por enquanto, deixo essa imagem das piscinas naturais:

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Águas cristalinas das piscinas naturais de Porto de Galinhas

Nessa época, havíamos acabado de nos casar no Brasil. Tínhamos duas opções: darmos entrada nos papéis para regularizar minha situação na Espanha ou deixarmos um pouco de lado a jornada burocrática para respirarmos a brisa do mar em algum canto do Brasil. Obviamente, optamos pela segunda ideia, o que nos trouxe a Porto de Galinhas, uma cidade turística, com boas condições de mergulho e um povoado que há tempos eu já cultivava uma paixão: Maracaípe.

Por aqui há gente do mundo todo, não só como turista, mas também como morador. O dono da escola de mergulho em que o Eric trabalhou, a Aicá Diving, é suíço. No meu trabalho, havia gente de São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, fora outras cidades pernambucanas. Em Porto de Galinhas há turismo quase o ano todo, o que faz do povoado, bairro de Ipojuca, uma promessa de oportunidades.

Como encontrei trabalho

Para quem não sabe, sou jornalista e sempre trabalhei como freelancer. Aqui em Porto, contudo, guardei meu diploma na gaveta e saí para procurar um trabalho em qualquer área que me garantisse, ao menos, o suficiente para viver com um certo conforto.

Chegamos num sábado e na segunda-feira eu já estava empregada como vendedora de uma loja de artesanato e assistência técnica de celulares. Nunca havia trabalhado em comércio e, muito menos, no regime que é a realidade da maioria das pessoas: 8h/seis dias na semana. Foi um susto, mas, sem dúvida, uma experiência que me ensinou várias coisas, principalmente sobre humildade, paciência e adaptação.

Além do trabalho na loja, vale dizer que administro as redes sociais de dois negócios de minha cidade. Um trabalho que posso fazer onde quer que eu esteja, desde que tenha internet.

Viver na praia é isso tudo?

Sim e muito mais. Viver na praia é seguir um outro ritmo de vida. Quando vivia em Belo Horizonte, por exemplo, dia livre significava ir para o bar. Aqui, levanto cedo e, se o dia está bom, dou um pulo na praia nem que seja só para respirar a brisa que vem do mar. O ar, o cheiro, tudo é especial. Não consigo tomar um banho de mar sem voltar com um sorriso de satisfação na cara.

É uma sensação prazerosa você olhar de fora para sua vida e ver que, de pouco a pouco, está inventando sua própria maneira de ser feliz. Se trata de perceber que você está escrevendo no caderno da sua existência e não apenas assinando o que escrevem para você.

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Vivemos sem TV, mas com uma janela gigante para o mundo

E agora, para onde vamos?

Esta é uma pergunta para a qual eu nunca tenho resposta. Passados quase três meses desde que chegamos, decidimos que é hora de tomar outros rumos. Vamos, enfim, encarar a burocracia que deixamos para trás. Papéis, papéis e mais papéis. Serão algumas semanas em Minas Gerais e logo outras na Espanha. Depois é depois. Que venham as novidades.

Destes três meses, levarei comigo uma das experiências que mais me ensinou sobre a vida e sobre eu mesma. Saio daqui com mais coragem de me lançar no mundo. Com os sentidos mais aguçados para desfrutar os pequenos milagres que nos cercam.

Mudar, com certeza, é difícil e às vezes até chega a doer nos ossos. Mas é como disse o Siba, artista pernambucano dos melhores que há: “cada vez que eu dou um passo, um mundo sai do lugar”.

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Para mais histórias e dicas de viagem, me siga no Instagram (@barbara_possoprovar) e curta nossa página no Facebook. Não deixe de acompanhar os próximos posts do blog, nos quais vou contar sobre os atrativos desta região tão bonita do Brasil!

2 comentários em “Como eu vim parar em Pernambuco?

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