Sete programas aleatórios do meu guia alternativo de Porto de Galinhas

*Por Bárbara Fonseca

Mais ou menos 372 mil. Este é o número de resultados gerados pelo Google quando se digita a palavra Porto de Galinhas no buscador. Você pode imaginar, portanto, que praticamente tudo o que havia para ser dito sobre os atrativos turísticos do lugar já foi exaustivamente mostrado em blogs, sites de notícias e páginas de agências de viagem. Sendo assim, se você chegou até aqui em busca de informações sobre as piscinas naturais, os passeios de bugue ou, até mesmo, sobre restaurantes badalados como o Barcaxeira ou Beijupirá, tenho que te dar uma má notícia: não haverá nada disso nas próximas linhas.

Mas calma, não vá embora. Neste post, vou compartilhar com você algumas experiências peculiares que vivi durante os três meses em que estive na região e que acredito que poderão, de alguma forma, temperar a sua estada na famosa praia pernambucana. De coxinhas de charque a apostas de futebol, confira estes sete programas do meu guia alternativo e aleatório de Porto de Galinhas. Quer provar também?

1. Almoçar no Rei do Caldinho e do Carneiro na Brasa

Expressiva e com personalidade. Talvez estes sejam os principais atributos da carne de carneiro, iguaria apreciadíssima em Pernambuco, sobretudo no sertão. Em Porto de Galinhas, experimentamos a carne em um modesto restaurante da região do Socó, bairro um pouco afastado do badalado calçadão do Centro, onde se concentram os restaurantes frequentados por turistas.

A casa me chamou a atenção, certa vez, quando eu passava de ônibus por sua porta. Era sábado, a fumaça anunciava churrasco e famílias se acomodavam em mesas de plástico espalhadas pela calçada. Sabia que ali iria encontrar comida honesta. Em outras palavras: comida boa e barata.

E assim foi. No Rei do Caldinho e do Carneiro na Brasa,  uma refeição farta, para duas pessoas, sai a R$ 30, com direito a um espeto de churrasco (você pode escolher o misto, com carne de boi, porco, linguiça e carneiro, ou apenas uma das opções), acompanhado de arroz, macarrão, vinagrete e feijão verde. Para ajudar com a digestão, há diversas opções de cachaças curtidas em frutas, como goiaba ou abacaxi, oferecidas como cortesia aos clientes.

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2. Tomar cerveja barata no Restaurante da Natália

Localizado na Estrada de Maracaípe, o bar da Natália é outra descoberta que fiz de dentro do ônibus. Os motivos para que o local me chamasse a atenção? Além da aparência informal, com mesas na calçada e sombra de frondosas árvores, o que nos levou ao bar foi o preço da cerveja, anunciado em um grande cartaz fincado na fachada: R$ 4,50 a Brahma (geladíssima, a propósito).

Quem é mochileiro e viaja com orçamento limitado sabe a importância de se compartilhar dicas de lugares econômicos. Portanto, à quem interessar, este paraíso etílico para bolsos apertados está logo após a segunda rotatória da estrada que segue para Maracaípe, quase em frente ao campo de futebol, na mesma região do Rei do Caldinho.

3. Comer as coxinhas do Pare e Lanche

Se algum um dia ( e eu espero que esse dia chegue) a coxinha for tombada como patrimônio cultural do país, certamente o estado de Pernambuco terá influência na escolha. Não que o tradicional salgado brasileiro seja originário dali, mas é impressionante a variedade de recheios e tamanhos oferecidos da iguaria, além da popularidade que ele encontra nas ruas.

Em Porto de Galinhas, se você perguntar por lugares para saborear o salgado, certamente haverá quem te indique o Rei das Coxinhas, filial de uma consolidada rede de lanchonetes surgida na década de 1980 na cidade de Gravatá, zona da Mata do estado. Eu duvido, contudo, que as coxinhas dali sejam tão crocantes, sequinhas e suculentas como as do Lucas, da lanchonete Pare e Lanche.

As coxinhas pequenas, que custam apenas R$ 1, são as melhores e podem ser saboreadas nos sabores frango, queijo, charque e calabresa com queijo. Para acompanhar, caldo de cana gelado, tirado na hora.

A lanchonete fica na esquina da Rua Posteação com a Estrada de Maracaípe e é uma das vértices deste triângulo do custo x benefício formado, ainda, pelo Bar da Natália e o Rei do Caldinho, dos quais falei antes.

4. Fazer compras nas lojas do 15, do 10, do 12…

O calçadão da Rua Esperança é um vasto corredor de compras, com diversas lojas de vestuário e artesanato, além de restaurantes, mercados e operadoras de turismo. O endereço é um imã para turistas que andam de um lado para o outro em busca de souvenires.

Mas o que talvez você não saiba, é que a viagem a Porto de Galinhas pode ser, também, uma oportunidade para dar um tapa no visual sem gastar muito. Como? Basta passar pelos lojões populares que há ao longo do calçadão. As lojas do 15 (e outras variações de preço) podem não ter o mesmo charme das butiques que há por ali, mas, sem dúvida, elas ganham no quesito preço. Destaque para os biquinis completos de R$ 15 (como este da foto).

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5. Experimentar frutas regionais

Jaca, caju, cajá, jambolão. Estas são algumas das frutas típicas do Nordeste que perfumam as esquinas de Porto de Galinhas. Pelo Centro da vila, há vendedores ambulantes responsáveis por apresentar as cores, sabores e texturas regionais aos turistas. Sentados em latas ou mesmo no chão, eles descascam e cortam as frutas na hora, aos olhos do freguês.

Outra opção para quem quer conhecer a diversidade local, é dar uma passada pelos sacolões, como o Galego Frutas, o meu preferido em Porto. Com bom preço e qualidade, o lugar é uma boa opção para você garantir um lanchinho fresco e saudável para os passeios e, de quebra, descobrir a variedade natural das terras pernambucanas.

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6. Assistir futebol no calçadão

Jogos de azar, sem dúvida, são uma mania entre os moradores de Porto de Galinhas. Basta ver a quantidade de postos de jogo do bicho que há pelo Centro da Vila (todos informatizados, aliás). E é em dia de partidas decisivas de futebol  (como o clássico Sport x Santa Cruz, ou, ainda, a final da Champions League) para que o espírito das apostas tome conta da vila.

Assistir a uma partida no meio desse pessoal chegado a brincar com a sorte é uma experiência curiosa. A cada lance marcado no jogo – uma falta, por exemplo – há sempre um apostador para lançar desafios: “- eu dou 20 que ele não marca!”, grita um, “- R$ 30 que ele marca”, retruca o outro. Para quem gosta de vibrar com o futebol, fica a dica de conferir uma partida no mercadinho que há em frente à Lotérica, no Calçadão. Ali é o ponto de encontro da turma das apostas.

7. Comprar macaxeira dos vendedores ambulantes

O Brasil produz cerca de 20 milhões de toneladas de mandioca por ano e a região Nordeste é uma das principais responsáveis por estes números. A raiz, também chamada de macaxeira ou aipim pelo país, tem importância econômica, social e cultural na região. E, sejamos justos, a verdade é que todos nós, brasileiros, temos que ser bastante gratos à mandioca e reconhecê-la, sim, como um legítimo patrimônio nacional.

Em Porto de Galinhas, você vai encontrar pratos com macaxeira em quase todos os restaurantes. Frita, cozida, em receitas tradicionais, como o escondidinho, e até mesmo na massa de coxinha é possível saborear a iguaria. Mas o que eu recomendo de verdade é que você guarde um espaço na mala para levar a mandioca in natura, comprada dos vendedores que passam de bicicleta pela vila. Macia, ela chega a derreter na boca com pouco tempo de cozimento. Nada de sacrifícios para descascar e cozinhar (esqueça a panela de pressão!).

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Então, o que você achou do meu guia? Se você gostou, quer tirar dúvidas ou, até mesmo, compartilhar comigo suas experiências, deixa um comentário aqui no blog. Vai ser um prazer poder conversar sobre viagens contigo. Te convido, também, a acompanhar minhas histórias pelo Instagram (@barbara_possoprovar) e pela nossa página no Facebook. 

Veja o que já publicamos sobre Pernambuco:

Maracaípe: você também vai se apaixonar por esse lugar

Como eu vim parar em Pernambuco?

 

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