Ilhados outra vez: nossa nova vida em Isla Mujeres, México

*Por Bárbara Fonseca

Chegamos ao México há quase dois meses. Se tivesse que descrever as minhas primeiras impressões sobre o lugar em que estamos vivendo num único adjetivo, certamente seria “vibrante”. Porque, por aqui, não há meias palavras. As cores das casas são berrantes, a comida é picante, a música é alta, as pessoas são abertas, a fé é inabalável, a natureza é forte e as ruas emanam vida.

Estamos em Isla Mujeres, uma pequena ilha no Caribe mexicano, a seis quilômetros de Cancún, na Riviera Maia. Com sete quilômetros de extensão, a ilha é um caldeirão onde as raízes dos povos primitivos se misturam às de tantas outras culturas forasteiras que aqui aterrissaram.

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Altar para  Virgem de Guadalupe no Mercado Municipal

Para os que escolheram a ilha como morada, há pessoas de várias partes do México, atraídas pelas oportunidades de trabalho relacionadas ao turismo, e, também, do mundo.  Há, por exemplo, norte-americanos que escolheram esse paraíso tropical para desfrutarem de suas aposentadorias. Um dado interessante é que o México tem sido um dos destinos favoritos dos aposentados dos Estados Unidos que desejam viver fora após se retirarem do trabalho, segundo o International Living, site especializado no assunto.

Chega a ser irônica a política linha dura adotada pelo presidente estadunidense Donald Trump com relação aos imigrantes mexicanos quando por aqui, do outro lado do seu almejado muro, vivem tantos de seus compatriotas, muitos deles ilegais. Mas esse é um outro assunto. Voltemos à ilha.

A deusa do amor

O nome Isla Mujeres foi dado pelos primeiros espanhóis que atracaram nessas terras, em 1517. Ao explorarem a ilha, se depararam com diversas esculturas femininas e, por isso, resolveram chamar o local de Ilha Mulheres, na tradução para o português.

As imagens encontradas pelos europeus faziam reverência a Ixchel, uma das figuras mais importantes da mitologia maia. Até a conquista do território pelos europeus, Isla Mujeres, assim como a ilha de Cozumel, era um ponto de adoração à deusa, atraindo peregrinos que cruzavam o oceano em balsas para pedir sua proteção. Deusa da lua, do amor, da fertilidade, dos trabalhos têxteis e da medicina, Ixchel tem grande importância para agricultura, por reger os ciclos de plantio e colheita.

As ruínas de seu santuário estão na ponta Sul da ilha e estão abertas a visitação, mediante o pagamento de uma taxa de 30 pesos. Com uma incrível vista panorâmica do Mar do Caribe, o local abriga também um complexo escultórico contemporâneo, jardins e caminhos que serpenteiam as águas turquesa que banham a ilha.

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Caminhos que serpenteiam o mar são atrativos da Punta Sur
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Parte das ruínas do templo maia dedicado à deusa Ixchel

A vida no bairro

Rosa, verde, amarelo, violeta, azul…A paleta de cores das casas de nossa vizinhança não passa despercebida. Vivemos na colônia Miraflores, que faz parte do conjunto de bairros localizados bem no meio da ilha. É nesta zona que vive maior parte dos locais, havendo pouco fluxo de turistas. Um cenário que já dá claros sinais de mudanças, com a construções de belas casas por toda parte (provavelmente destinadas a aluguel por temporada) e a abertura de negócios focados no turismo, como a cervejaria artesanal Isla, localizada na Salina Chica.

O cotidiano nos bairros é pacato. Há quadras esportivas onde, com frequência, há aulas públicas de ioga e zumba pela manhã. Há locais para prática de corrida, como a Salina Grande, ao lado de nossa casa, ou o calçadão no Mar do Caribe. Os principais supermercados da ilha também estão nos bairros, além de muitas unidades da rede de conveniência Six, onde é possível comprar latão de cerveja por menos de 1 dólar.

Com a chegada da noite, sobretudo aos fins de semana, os bairros se transformam e as ruas ganharem vida. Celebrações de aniversários ou, como vimos recentemente, do Natal, acontecem tomam as vias públicas, com mesas e cadeiras para fora das casas, cones cortando o trânsito e, é claro, música. Muita música.

Pela noite, o que não faltam são bons lugares para se fazer refeição honesta: saborosa e com preço justo. Tacos, tortas, tamales, leitões assados, moles e tantos outros pratos típicos da culinária mexicana são oferecidos aos montes em pequenas cantinas, nas ruas ou varandas das casas. Basta caminhar pelos quarteirões para encontrar alguma iguaria.

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Murais de arte urbana podem ser visto por toda a ilha.
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Casas com cores vibrantes fazem parte do cenário de Isla Mujeres

Centro: praia, coquetéis e souvenirs

Bares, restaurantes, calçadões, comida de rua, lojas de presentes e gente por todas as partes. Como em um típico vilarejo litorâneo, o Centro de Isla Mujeres é ponto de encontro de turistas e locais, reunindo charme e facilidades num mesmo lugar.

Nos arredores do porto estão as agências de passeios e aluguéis de carrinho de golf, além de grandes quiosques de praia, lojas de lembranças e de conveniência. Ali também começa a Playa Norte, a praia mais democrática da ilha, já que boa parte da costa está tomada por empreendimentos privados, como beach clubs e hotéis.

Com água cristalina, coqueiros e areia branca, a Playa Norte é, sem dúvidas, a melhor pedida de Isla Mujeres para quem quer desfrutar de um dia de praia. O pôr do Sol é espetáculo à parte que, graças a agradável temperatura da água, pode ser admirado de dentro do mar, como fazíamos em Maracaípe. (Cliquem aqui para saber sobre nossa temporada em Pernambuco)

O pós praia pede uma cerveja gelada, acompanhada das tradicionais guarnições mexicanas: chili, sal e limão. Outra boa opção é aproveitar o happy hour oferecido pelos bares no final da tarde, com mojitos, piña colada e margaritas ao preço de 2×1. Para comer, há desde opções mais sofisticadas, como restaurantes de cozinha internacional ou cafés moderninhos, à tradicional comida mexicana de rua, com suas infinitas variações. Para quem me acompanha, nem precisa dizer qual é a minha escolha preferida, né?

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Manifestações religiosas e culturais ganham palco no adro da igreja da Inmaculada Concepción, padroeira da ilha
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Lojas de souvenirs são uma das atrações do Centro de Isla Mujeres
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Pôr do Sol na Praia Norte: programa imperdível

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Informações gerais

Moeda do México:

20 pesos mexicanos = 1 dólar americano

Como chegar:

O acesso a Isla Mujeres é pelo ferry da Ultramar, que tem horários regulares todos os dias da semana, desde Cancún. Você pode ver os horários clicando aqui. Atualmente, a passagem de ida e volta custa 300 pesos.

Como se deslocar pela ilha:

Na ilha não há ônibus, sendo que os taxis compartilhados cumprem a função transporte “público” local. O preço das corridas varia, mas geralmente custa 15 pesos se você está sozinho ou 10 por pessoa, se está acompanhado (o que também pode variar de acordo com o humor do taxista). Na cooperativa de taxi local, que está ao lado do porto, você também pode contratar tours pela ilha.

Os carrinhos de golf também são parte significativa do tráfego da ilha. É o meio de transporte preferido dos turistas que chegam para passar o dia. Para alugar, basta ir a uma das agências do Centro (há aos montes). Os preços variam de acordo com a temporada, podendo chegar a 1.300 pesos para o dia inteiro nesta época de fim de ano.

Tem estrutura?

Apesar de pequena, Isla Mujeres está longe de ser um local rústico e possui boa infraestrutura, como hospital, restaurantes para os mais variados gostos, parques temáticos, casas de câmbio, bancos e caixas eletrônicos.

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E você, já conhece Isla Mujeres? Se sim, me conta sobre sua experiência e programas que você curtiu fazer por aqui. Se ainda não conheceu ou quer saber mais histórias do cotidiano do nosso lar atual, não deixe de acompanhar o blog e me seguir no Instagram: @barbara_possoprovar

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